Críticas à polícia chegam ao Legislativo

Críticas à polícia chegam ao Legislativo

Para senadora, a operação foi um “crime de lesa-pátria”

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A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura, subiu em vários tons as críticas à Polícia Federal. A forma como foi conduzida a operação Carne Fraca, segundo ela, “com vaidade, arrogância e abuso de autoridade” configura um “crime de lesa-pátria”. “Não existe hoje um assunto mais importante do que esse no País”, disse. “É um caso gravíssimo quase que de morte, que afeta a economia brasileira”.

Para esclarecer se houve abuso de autoridade e também apurar o impactos na economia, ela fez requerimento para que o Senado crie uma comissão para acompanhar os desdobramentos do caso. Essa comissão será composta por seis titulares e seis suplentes e trabalhará por seis meses.

Ainda no Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) convidou para audiências públicas empresários da cadeia da carne e três ministros: Blairo Maggi, da Agricultura; Marcos Pereira, da Indústria e Comércio Exterior e Osmar Serraglio, da Justiça. O ciclo começa na tarde de hoje, com Maggi.

O ministro Serraglio foi incluído porque a Operação Carne Fraca inclui a gravação de uma conversa dele com Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, preso preventivamente na última sexta-feira. Gonçalves Filho é acusado de comandar o esquema de propinas no Paraná, onde foram presos 29 dos 33 funcionários suspeitos (três outros são de Goiás e um de Minas Gerais). Oito deles já foram soltos e três tiveram a prisão preventiva prorrogada.

A Polícia Federal, contudo, não ouviu nada naquela conversa que comprometa o ministro. Devido ao episódio, Serraglio protagoniza um bate-boca pela imprensa com a senadora Kátia Abreu, que afirma ter sido ele uma das pessoas que influenciou a nomeação do ex-superintendente.

Na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar da Agropecuária, em tom mais ameno, também criticou a condução das investigações. “A Polícia Federal faz um belo trabalho na maioria das suas operações, mas não tem o conhecimento técnico em um caso desses de forma a não criar o pânico nacional que foi criado”, disse presidente da frente, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). Ele

Leitão sugeriu que parlamentares defendam na Europa as exportações brasileiras de carne e também que a Câmara crie uma Comissão Geral para debater a exportação e o sistema de fiscalização sanitária brasileiro.

Ontem, a ação policial recebeu novos reparos. Em nota, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) nega base científica às conclusões da Carne Fraca referentes aos danos à saúde pública. Segundo a associação,

apesar de a Polícia Federal ter em seus quadros 27 especialistas formados em medicina veterinária, química, farmácia/bioquímica, medicina e agronomia, acionou sua perícia apenas uma vez durante as investigações. Além do que o laudo não comprovou aqueles danos.

A APCF reconhece que o foco da investigação era o combate à corrupção. Mas destaca que o conhecimento técnico e o saber científico teriam ajudado “nos aspectos subjetivos da investigação criminal” e com isso “poupado o País de tão graves prejuízos comerciais e econômicos”.

Fonte: Agência Senado, Agência Câmara de Notícias e APCF

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